Sobre a crítica

Para Cláudia Generoso

A crítica, literária ou de arte, é uma atividade que guarda importantes diferenças em relação à atividade artística ou literária e à filosofia. A crítica não é uma arte nem uma filosofia da arte. A propósito, seu lugar, seu estatuto, embora multifacetado, já se encontra estabelecido ao longo dos últimos séculos.

Importa dizer que, semelhante à atitude do artista, o crítico carrega um investimento voraz. Contudo, enquanto o artista investe pesadamente na vida, o objeto de atenção e devoção do crítico é a obra e não, a existência. Ambos, crítico e artista partilham algo, algo com que faz que a crítica não seja filosofia ou filosofia da arte: a imaginação.

O filósofo igualmente não está propriamente interessado na vida como está o artista. Por outro lado, ele não está, como o crítico, voltado para obras literárias ou de arte. Seu alvo é a verdade. Isto tem uma profunda implicação em seu estilo na escrita, na profissão de ideias, no seu modo de vestir. Ele é criterioso, rigoroso, mas lhe falta imaginação e criatividade.

Donde resulta que, o compromisso do crítico não é exatamente com a verdade. Também não o é com sua sinceridade, suas idiossincrasias, suas emoções, seu eu pessoal, suas volições, seus sentimentos. De outra maneira, se ele pretende ser objetivo, será pedante; se deseja ser expressivo, parecerá piegas.

Seu único compromisso é com a forma – da verdade e da expressão da obra.

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