Em nome do bem

O problema do mal é, historicamente, um problema da filosofia e da teologia. Ele está colocado na região da teodiceia. Basicamente, a pergunta sempre foi pelo fundamento, pelo abismo.

Perguntamo-nos pelo porquê da existência do sofrimento, da doença e da morte diante da infinita bondade de Deus-Todo Poderoso. A filosofia e a teologia não são capazes de dar respostas definitivas a tal questão, relegando-as para o lusco-fusco da fé.

Caminho bem comum tomamos, nós, modernos. Eliminamos um item da equação, Deus-Todo Poderoso. Permanece o problema: por que sofremos, adoecemos e morremos? Nossa atitude e nossa perspectiva em relação a este problema também mudaram nos últimos séculos.

Deixamos de lado a tentativa de responder o que seja o mal ou, mais propriamente, porque existem sofrimento, doença e morte. Aceitamos de bom grado que o mal existe. Trata-se agora de eliminá-los.

A tentação moderna é a tentação prometeica. A conquista do fogo é a ambição humana, demasiado humana de, funcionalmente, não mais sofrer, não mais adoecer, não mais morrer. Isto só é possível detendo o conhecimento da vida e da morte, uma aspiração absoluta, máxima cuja busca define a nós, modernos, como possuidores de uma alma fáustica.

Para se colocar neste caminho, só um pequeno requisito é necessário: dispor de si mesmo num pacto diabólico com indomáveis potências que fazem morada em nosso coração. Donde decorre a máxima, em nome do bem vale tudo.

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