O fio condutor

Há importantes diferenças ente o mero riso e a sátira, a ironia, o sarcasmo, o escárnio. É que a sátira, a ironia, o sarcasmo e o escárnio têm seu fundamento na negação. Eles carregaram um rebotalho a que chamamos ressentimento. Precisam de um alvo ou de um confronto. Não são um mero ou simples riso afirmativo.

O riso afirmativo, simples venera o divino como força contra a qual nada podem guerras, pestes, incêndios, tempestades, monções, inundações, raios e trovões. Este riso contempla um mundo que nasce e se destrói e renasce de si mesmo.

Dele, depreendemos um modo de vida que compreende o que merece ser louvado e o que merece ser evitado. A doutrina do riso aceita não compreender a maravilhosa barafunda que é o universo, dizendo sim à inevitabilidade de sucessão de alegrias e dores.

A sátira, a ironia, o sarcasmo e o escárnio são confissão de fraqueza, pois demandam por alguém. Ou, mais propriamente, alguém importa a ponto de, se não nos tirar o bom sono, a ponto de nos roubar boa parte do tempo.

Por isso, eles tendem a ser mais cerebrais que afetivos. Por serem produtos do ressentimento, a sátira, a ironia, o sarcasmo, o escárnio são cuidadosamente trabalhados, demandam tempo, recolhimento na dor, na humilhação. São artifícios próprios daqueles como eu, pacientes crônicos, portanto, filhos da fraqueza. Claro, a fraqueza também tem suas armas.

O mero riso, afirmativo é livre, é fatalista e confiante, ele nada nega, somente diz sim à vida, apesar das cruzes e das lágrimas.

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