Diário de leitura

Uma das muitas lições que aprendi com o professor Leonardo Gomes de Deus, o Léo, foi a de que é preciso ter uma agenda própria. Ter uma agenda própria para não ser engolido pela turba e se despersonalizar.

Enfim, meu trabalho se divide entre uma pesquisa sobre a escatologia em um autor russo e os estudos sobre o problema do mal. No final, tudo é estudo sobre o mal. Gostaria de recomendar aos que por ventura visitarem este post a leitura de A simbólica do mal, de Paul Ricoeur. É uma bela introdução erudita à questão.

Meus caminhos, concentrados na modernidade, se voltam, neste momento, para o tema do Fausto. O de Goethe, certamente, mas, também, a compreensão que Oswald Spengler tem do indivíduo moderno como detentor de uma alma fáustica. Em se tratando de Rússia, estou me deliciando com a leitura do fáustico O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgakov.

Saber do mal não possui nenhuma eficácia, nenhuma produtividade ou utilidade, trata-se muito mais do prazer do tipo de leitura. Ela precisa conduzir o leitor para um mundo cada vez mais distante do prosaísmo da vida. Do contrário, não seria prazer e liberdade, mas, sim, castigo e necessidade.

E das solicitações do mundo, quisera Deus que elas se reduzissem à fome e à sede. Mas, não. O outro e seu olhar são constantemente solicitados por nós, donde nossas mais deliciosas e mais perversas obsessões. Podemos dar folgas a elas oferecendo-lhes livros. A fantasia não fica, contudo, completamente saciada com eles. Ela o ficará com alguma coisa um dia?

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